segunda-feira, fevereiro 18, 2008

a dama de perugini


além do umbral,
onde os rostos se alargam no espaço,
flutua a dama como em arabesco.
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do balaústre, o seu alvo semblante
parece adormecer, enquanto espera,
talvez a surpresa de um beijo.

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Carlos Henrique Leiros
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[the green lizard (charles edward perugini)]


Perugini, Charles Edward [1839/1918]: Nascido em 1839, em Napoles/Italia, Perugini viveu o apogeu de sua arte na Inglaterra, para onde viajou na companhia do grande artista neoclássico inglês Frederic Leighton, de quem se tornou amigo. Teve seus trabalhos aclamados pela Royal Academy. Mais tarde casaria com Kate Dickens [filha do escritor Charles Dickens], também artista. Sua pintura retrata com bastante fidelidade toda a exuberância dos tempos antigos da Grécia e Roma, de cujas culturas foi um fervoroso admirador. O quadro acima - The Green Lizard [oil on canvas]- data de 1902.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

england [in a graceful manner]


partiste, em dia que vai longe, e a metade
do coração que deixaste comigo,
emudeceu, ao se criar um visgo,
em cima da fissura antiga.
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deu-se, afinal, como se repetisse
a mística de quem erra,
o meu exílio, aquela sonolência
eterna e quase indivisível.
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que é estar sozinho,
com o oceano, às vezes longo muro,
e outras como abismo.

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Carlos Henrique Leiros
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[man on dock looking south (rodney smith)]

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

corpo sem fímbria


desperta, corpo sem fímbria,
que teus temores são como as madrugadas,
se acaso supões,
que das ansiedades se comprazem.
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desperta deste abençoado transe,
e não sentirás o vazio
a te lamber os pés, prometo eu,
mas que alguma coisa – como chaga – existe.

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Carlos Henrique Leiros
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[man with umbrella at the old lighthouse (tim holte)]

segunda-feira, janeiro 28, 2008

do palanquim


do palanquim, vê-se a elevação e a greda,
em que se vão depositar os odres,
untados de poesia recusada.
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mas os poetas não ousam chorar.
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levaram junto o que eu deixei escrito,
para queimar, até que o céu se esvaia,
e eu, do cimo deste paquiderme,
seja nuvem.


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Carlos Henrique Leiros
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[shoulder ride (yutaka ozaki)]

sábado, dezembro 29, 2007

férias...enfim!


Férias, enfim!
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Sim, meus queridos amigos, estou saindo de férias. Confesso que nunca as tive tão merecidamente quanto agora. 2007 foi um ano de trabalho duro, persistente, sem trégua, onde, nos últimos meses, a ginástica mais ferrenha foi aquela de administrar o tempo, o pouco tempo que me sobrava depois do cumprimento de todos os afazeres mundanos. Em função disso, peço sinceras desculpas a todos quantos não pude visitar regularmente, como gostaria e deveria.
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Conforta-me saber, no entanto, que cheguei ao final do ano, dentro do que me propus aqui, logo quando decidi habitar o Blogspot: fazer do Almofariz um espaço, senão perfeito [porque a perfeição não existe], ao menos digno de ser lido. E acho, sem modéstia, que desempenhei bem o papel.
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Trouxe comigo pessoas especiais; encontrei outras também especiais por aqui. E me considero feliz com todo esse somatório de amizades, de informações trocadas, com esse alimento intelectual em torno do qual estivemos reunidos. Que 2008 nos traga ainda mais satisfações e nobres conquistas, com a saúde que nos sustenta o corpo e a sensibilidade que nos sustenta a alma.
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Volto no finalzinho de janeiro/começo de fevereiro, com algumas novidades, poemas escrevinhados no caderno, idéias fresquinhas. Chegou o momento de me desligar um pouco da azáfama citadina e me permitir alguns luxinhos a mais, como caminhar na praia, ouvir música no silêncio completo, escrever, fumar cachimbo ao cair da tarde, exagerar um pouco nas xícaras de chá e, claro, acompanhar a filhota nas aventuras típicas das férias. São coisas pequenas, mas que para mim possuem um sentido enorme.
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Deixo a todos o meu abraço, já com saudades.
O Almofariz entra em recesso momentâneo.
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Sejam felizes. Tenham dias felizes. E comportem-se!

Até a volta.
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Carlos


[early ride (f. monteiro)]

terça-feira, dezembro 25, 2007

seis meses de almofariz - com prêmio


Completo seis meses de vida com o Almofariz (03/07/2007 – 03/12/2007), período em que considero ter feito um trabalho, senão perfeito, ao menos digno de ser lido. Sinto-me, pois, em casa, com amigos que carreguei junto a mim, e outros mais que se somaram, numa convivência respeitosa, permeada por interessantes trocas de informações, de interesses, como só as amizades raras conseguem nos proporcionar.
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São seis meses que, para mim, pareceram dias, de tão rápido que transcorreram. Recebi tantas visitas, numa acolhida que muito me sensibilizou. E encerro o ano de 2007 com a certeza de que a Poesia e o bom gosto reinaram sobre a mediocridade.
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Nada melhor, portanto, do que encerrar uma jornada anual com a notícia de outro prêmio. Dessa vez foi o “Eu Tenho Um Blog De Elite”, comenda idealizada pelo blog PutsGrilo.com, e que a amiga Erika Murari tão generosamente me concede [o primeiro foi o emblema do Oncotô, aí ao lado]. Fico-lhe grato, amiga, por mais essa deferência.
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Bom, agora vem a parte difícil do negócio, que é escolher os 5 blogs a quem conferir a presente homenagem. Pautando-me pela justiça, e levando em consideração que, por ocasião do último prêmio recebido, não pude agraciar a todos os que admiro por seu trabalho, faço com muita alegria a indicação dos seguintes recantos:

http://adamaoculta.blogspot.com
http://casadeleitura.blogspot.com
http://devaneiosaovento.blogspot.com
http://fabricadehistorias.wordpress.com
http://tecendomomentos.blogspot.com


Seus respectivos proprietários:

.Lívia Araujo: Com poucos meses de atuação na blogosfera, Lívia tornou o A Dama Oculta leitura obrigatória para pessoas culturalmente exigentes. Seus poemas são a grande atração!

.Carol Timm: A dona do Casa de Leitura nos apresenta a Poesia Universal, sempre com belas imagens de acompanhamento. Vale a pena conferir e deslumbrar-se!

.Edna B.: Impossível dissociar o Devaneios Ao Vento da personalidade da sua próprietária. Edna, criatura sensibilíssima e muito observadora, leva-nos ao contato com a Poesia dos Mestres. E assim nos sentimos em casa!

.Alexandre Costa: Dos templates criativíssimos à variedade incessante dos assuntos, o Fábrica de Histórias é um lugar para chegar e ficar. O Alexandre, como mestre de cerimônias, é impecável!

.Nena Dolores: Depois de muita insistência, a amiga Nena nos deixou a par do Tecendo Momentos, blog que lidera com a suavidade e a simpatia de sempre. Trancrições literárias escolhidas com esmero são o forte daqui.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

limbo


se já morremos, onde o limbo,
as vozes prometidas, as cortinas,
e toda a estranheza que nos consolaria?
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a aveludada treva, por certo, mais forte
que o fulgor da luz, fê-nos pousar
sobre a crueza das manoplas?
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nada, contudo, vai nos impedir,
de nos mantermos tão imaculados
quanto as rosas que um dia emolduraram
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o rosto ainda imberbe de Capote,
depois que Beaton o banhou, diáfano,
com a mesma luz dos halos emanada.
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não haverá mais treva, sobretudo
a lágrima furtiva, e a idéia
de que o limbo é uma parede fria
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e nua de cortinas, adereços,
sem vozes sussurrando em cada dobradura,
sem a estranheza que nos prometeram.

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Carlos Henrique Leiros
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[weeki wachee (toni frissell)]