refugo os meus olhares todos
à vossa presença de chuva outonal
atiçando farrapos de velas
bandeiras nos caibros se assanham
como a dizer que a paz já não há
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foi-se a manhã
foi-se a voz aos fiapos
junto com minha sombra numa nuvem em fuga
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imagens restaram guardadas
no vácuo dos sonhos
em reflexos num veio lacrimal que escorre
a indagar do mofo
o que foi feito de vós
para Bergman e Antonioni, mortos de ontem e de hoje...
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Carlos Henrique Leiros
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[poppies no. 2 (Peter Blume)]