
se já morremos, onde o limbo,
as vozes prometidas, as cortinas,
e toda a estranheza que nos consolaria?
.
a aveludada treva, por certo, mais forte
que o fulgor da luz, fê-nos pousar
sobre a crueza das manoplas?
.
nada, contudo, vai nos impedir,
de nos mantermos tão imaculados
quanto as rosas que um dia emolduraram
.
o rosto ainda imberbe de Capote,
depois que Beaton o banhou, diáfano,
com a mesma luz dos halos emanada.
.
não haverá mais treva, sobretudo
a lágrima furtiva, e a idéia
de que o limbo é uma parede fria
.
e nua de cortinas, adereços,
sem vozes sussurrando em cada dobradura,
sem a estranheza que nos prometeram.
.
.
Carlos Henrique Leiros
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[weeki wachee (toni frissell)]
17 comentários:
Profundo, Amigo Carlos.
Como disse de outra vez, estás no caminho certo, Caro Poeta. E eu fico contente. Isso, aliás, para ti já não é novidade.
Um abraço.
Olá, CH.
Homem, estas tuas investigações sobre "o ofício de ter alma" estão a ficar mais complicadas. E a estética acompanhando... meu juízo ainda está dando voltas; gostei de ver o "Limbo" em sua forma final.
Um abraço.
Y el mundo parece habitado, lleno de misterios. Acaso sea el sentido que vemos reflejado en cada hecho, en cada realidad que en su silencioso lenguaje nos habla. Acaso eso sea el alma una tupida urdimbre de gestos vivos que vamos tejiendo a lo largo de una vida.
Saludos
Está em estado de arte meu caro!
Abraços!
O que eu ia dizer aqui, eu disse no Oncotô.
Passe lá, tem um presente prá vc no update de hoje.
Beijos
www.oncoto.erikamurari.com.br
que bonito de se ler.
a quanto tempo que não venho aqui.
saudade dos escritos.
beijos, au revoir.
Caro Carlos,
Ao ler seu poema "limbo" percebo que sua intelectualidade está explícita qdo cita nomes como Capote e Beaton o que me deixou extremamente surpresa pois pelo que me recordo nunca o tinha feito, inserir grandes nomes em meio a sua poesia.
Vejo que o Limbo, pode ser frio, mas aos olhos de que o "sente" pode ter um sentido diferente, pode-se sentir cheiros de rosas, a clareza em meio a escuridão...
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De novo fica minha reverência a tão nobres palavras, que somente a sua sensibilidade e conhecimento pode expressar.
Um abraço poeta, (desculpe minha ausência, dias corridos)
Gosto muito quando venho aqui e há coisas novas para ler...e sobretudo para pensar.
Um grande abraço.
Amigo Carlos,
Peço desculpa por te andar a visitar pouco. Não é por mal nem por falta de vontade.É sempre bom trocar umas palavrinhas com um amigo como tu e deliciar-me com aquilo que tão bem escreves.
Acontece que ando a precisar de uma pequena pausa. Ando cansada. Não por causa das correrias desenfredas para o consumismo de Natal. Não. Não entro nisso. Procuro é manter as tradições e passsá-las à geração seguinte como aconteceu comigo. O Natal é para mim, ainda hoje, uma época mágica.
Espero que o seja também para ti.
Desejo-te um Bom Natal: uma família feliz, uma bota cheia de presentes. Paz, alegria, serenidade, amor (é ele que nos faz viver) e muita saúde.
Um grande abraço, Poeta meu Amigo Carlos.
"E obrigada por não me teres abandonado" apesar de não te vsitar.
Carlos, desejo-lhe um ótimo natal e um 2008 maravilhoso! Volto ao seu site (e ao meu) saudosa e feliz por encontrar tantas novidades. Abraços, Ana
Meu caro Carlos
desejo-lhe um Natal tão bonito como os poemas que escreve e prendas no sapatinho de igual bom gosto como as imagens que escolhe.
(como é o caso desta que ilustra este belissimo poema).
com amizade
zé boldt
Que la navidad te traigo todo lo que soñas.Bello blog
Meu caro Amigo Carlos
Venho desejar-te um belíssimo Natal de 2007 e que o ano de 2008 seja bastante preenchido com tudo de bom e do melhor, especialmente saúde.
Um abraço
Querido amigo
Quero lhe desejar um Natal como merece, com paz, amor e .. aquelas comidas deliciosas que você me conta e fica me tentando. Mas tudo bem, fazer o que...rs
Para você e os seus!
Beijo carinhoso
carlos:
agradeço sua referência ao meu
poema publicado na diversos afins,
digo que você tem um belo
"almofariz" e deixo meu endereço:
romerioromulo@hotmail.com
obrigado e um abraço.
Caríssimo Carlos,
Faço hoje o primeiro passeio do ano pelos jardins de letras e cores de meus amigos... e aqui estou!... Como diz Lívia, tua escrita complexa exige leitura atenta, e também venho mergulhar nas reflexões que instigas... Percebo conexão entre as imagens desta postagem e da anterior, na pose das figuras, algo como um movimento de entrega para a Vida e para a Morte, e penso nos renascimentos diários pelos quais precisamos passar, durante a aventura de nossa existência.
Aproveito para desejar um novo ano pleno de poesia, e prenhe de seiva vital!
Abraços alados.
Olá, caríssimo amigo. Onde andam as novidades por aqui? Passo para deixar um abraço alado!
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